sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Elis Regina-Cabaré



Na porta lentas luzes de neon,
Na mesa flores murchas de crepon
E a luz grená filtrada entre conversas.

Inventa um novo amor, loucas promessas;
De tomara-que-cais surge a crooner do norte,
Nem aplausos, nem vaias: um silêncio de morte.
Ah, quem sabe de si nesses bares escuros?

Quem sabe dos outros, das grades, dos muros?
No drama sufocado em cada rosto;
A lama de não ser o que se quis,
A chama quase morta de um sol posto
A dama de um passado mais feliz
Um cuba-libre treme na mão fria,
Ao triste strip-tease da agonia
De cada um que deixa o cabaré
Lá fora a luz do dia fere os olhos
Ah, quem sabe de si nesses bares escuros
Quem sabe dos outros?

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